Ao policial, a cidadania é imperativa.

 
O problema da Segurança Pública exige uma intervenção diferente daquelas tradicionalmente conhecida, do tipo: aumento do contingente policial, compra de viaturas, colocação de cabines e ações enganosas de mídia. São imprescindíveis atitudes comunitárias, integração, reinserção e reinclusão social, ações de governo nas áreas sociais e do conhecimento. O crime não pode ser tratado com visões policialescas, apenas no conceito de guerra, de combate. As ações se forem apenas neste sentido não chegaremos a nada, a lugar algum.Vamos continuar enganando a população e nos enganando também. Se o Estado esqueceu os desafortunados e os guetos da miséria, alguém terá que pagar a conta, com juros e correções de dívidas longas. É preciso curar as chagas deixadas ao longo de décadas, investir no homem, pois ele é o fruto da sociedade que, se não acudida, continuará gerando as suas mazelas sociais e a política de segurança pública remeterá os mesmos erros do passado. O Estado precisa ocupar os seus vazios espaciais, implementando políticas públicas necessárias que oportunizem a todos as suas melhorias . Mas, se os recursos são insuficientes, não podemos esperar que ausência de políticas públicas de resultados a longo prazo venha aprisionar o cidadão de bem que não pode exercer o seu direito sagrado de ir e vir, com o temor de ser violentado a qualquer instante, em qualquer logradouro público ou até mesmo no recinto do seu lar, por um marginal que, na certeza da impunidade, cometera os mais atrozes crimes. Neste sentido, é bem verdade que urge uma política equilibrada de reaparelhamento material, de contingente policial, mas, sobretudo, de investimento no homem profissional da segurança pública, aprimorando os seus conhecimentos intelectuais, primando pelos aspectos humanísticos de respeito aos direitos individuais e coletivos. Ele, antes de tudo, é preciso se considerar um cidadão na plenitude dos seus direitos, e assim, redistribua a noção de cidadania àqueles sujeitos e objeto das boas práticas protetivas e repressivas das ações policiais. Ao policial, a cidadania é imperativa e ela passa antes de tudo, por suas melhorias.Senhores governantes, dêem-lhes isto, que a mudança se inicia.
 

Delegado Wilder Brito Sobreira
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